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A palavra que rege o mundo moderno é “acessibilidade”. Graças a ela, podemos nos comunicar a qualquer instante com amigos pelo celular, somos informados através de mensagens instantâneas sobre um temporal de verão que cairá pelo fim da tarde e as contas de luz são quitadas instantaneamente com poucos cliques em qualquer computador com acesso à internet. Já parou para pensar o quão trabalhosa seria a vida sem essas e muitas outras facilidades? Agora se coloque no lugar de quem não possui acessibilidade para realizar outras tarefas mais simples do cotidiano como, por exemplo, subir em uma calçada demasiadamente alta. Esta é uma realidade que precisa ser lembrada a todos.
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O Memorial da Inclusão: os Caminhos da Pessoa com Deficiência foi inaugurado no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (03 de dezembro) no Memorial da América Latina (São Paulo/SP). Ele chega, em plena “era do acessível”, para narrar aos seus visitantes a trajetória de militantes na luta por muitos dos direitos que hoje são tidos como fundamentais para qualquer pessoa deficiente. A principal meta do projeto é, em suma, registrar e difundir os acontecimentos dos últimos 30 anos de luta pela conquista dos referidos direitos e, dessa forma, informar ao público – deficiente ou não – de que nem sempre as coisas foram tão simples.
É importante ressaltar neste ponto que, mesmo com o grande avanço sofrido pela conquista de direitos, ainda não se chegou a um ponto satisfatório da “jornada”. Tal fato reafirma que o projeto também possui caráter de conscientização.
O seu grande acervo reúne, em 12 ambientes diferentes, uma seleção de diferentes tipos de materiais de origem particular – doados à iniciativa – daqueles que estiveram ativos durante o período de ascensão dos direitos do deficiente. Em meio a fotos, textos e documentos; o observador pode compreender como acontecia o processo de inclusão social dos deficientes: fotografias retratando aulas de leitura labial e cartas de autoria de deficientes são apenas alguns dos itens que podem ser observados durante a visita.
Mais do que reviver períodos importantes na obtenção da inclusão social, o Memorial também deixa claro aos visitantes que o passado deve ser posto em prática no presente para que, desse modo, não se perca o que uma vez já foi alcançado. Para tanto, o projeto cenográfico realizado pela Candotti Cenografia provoca as pessoas não-deficientes a entrar no universo de quem as possui e, consequentemente, perceber que existem maneiras diferentes de comunicação. Esta é uma maneira simples e eficaz de envolver o público na proposta da exposição, uma vez que a interatividade torna as pessoas receptivas a acolher e compreender informações de novos tipos e fontes.
O destaque, ao que se refere à interatividade, vai para a Sala Preparatória dos Sentidos, ambiente que força o visitante a abandonar o principal sentido humano, a visão, e explorar todos os outros. O espaço, totalmente escuro, oferece a oportunidade ao público de notar o quão importante é o uso da audição, olfato, paladar e tato para a percepção do mundo exterior. Para isso, basta tocar os painéis com texturas variadas, sentir o aroma propagado pela sala e estar atento ao som ambiente. Situações do cotidiano são experimentadas de uma forma nunca vista antes pela maioria.
Logicamente, a melhor forma de propagar um ideal é tomar atitudes que sirvam como exemplo. A acessibilidade é um quesito primordial na mostra e foi explorada cenograficamente. Os painéis estão dispostos em alturas que possam proporcionar uma boa observação para todos os tipos de visitantes: cadeirantes e não-cadeirantes. Além disso, aos deficientes visuais, são oferecidas duas formas de compreender a narração: informações transcritas em braile bem como a audiodescrição dos painéis, através de sound tubes, para aqueles que não leem, mesmo em braile.
O local físico também foi levado em consideração no projeto. A obra de Oscar Niemeyer, cuja filosofia de suas criações busca a democratização do espaço, possui característica circular. Este formato permite que o expectador esteja sempre no centro da exposição, independente de sua movimentação na mostra.
Para a Candotti, participar da organização do Memorial da Inclusão foi uma experiência enriquecedora. Afinal, tal intento mostra-se capaz de não apenas conscientizar aqueles que o visitam, mas também aqueles que o planejam. A questão da acessibilidade passa a ter um papel cada vez mais importante nas realizações da empresa, que se mostra atenta às necessidades de todos os públicos em seus trabalhos.
Realização: Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência – SP
http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br Curadoria: Elza Ambrózio Pesquisa: Crismeri Gadelha Projeto Expográfico: Jefferson Duarte e Yara Candotti Produção e Cenotecnia: Candotti Cenografia e Macsil Indoor Impressão: Pigmentum Acessoria de Imprensa: Em Foco Assessoria de Comunicação Local: Sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência Endereço: Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 564, Portão 10 - Barra Funda - São Paulo - SP - próximo à estação do metrô e da CPTM. Horário de Visitação: Seg a Sex – 12 às 18h.
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