A Estação Cartola PDF Imprimir E-mail
Ter, 23 de Março de 2010 17:59

Na história do samba brasileiro, um nome que se propaga através das gerações é a de Angenor de Oliveira. Até mesmo quem não gosta do ritmo musical certamente ouviu falar sobre sua grande importância para o mesmo.


Não sabe quem é? Ah sim, estamos falando do grande colaborador na fundação da Estação Primeira de Mangueira: o inesquecível Cartola. Um apelido incomum! Contam que o recebeu por trabalhar, antes do início de sua carreira artística, como servente de obras e usar um chapéu-coco como proteção contra respingos de cimento que caíam do alto.


Tido por muitos como o maior sambista da história da música brasileira, suas composições eram geniais. Ainda assim, sua história de vida não foi nada fácil. Dificuldades financeiras na família fizeram parte de sua infância, levando-a viver na morro da Mangueira – lugar onde descobriria, mais tarde, seu grande talento como sambista. A vida de Cartola se tornou mais difícil ao perder sua mãe aos 15 anos, o que acarretou no abandono de seus estudos para que pudesse trabalhar. O seu dom musical aflorou a partir de encontros com amigos sambistas do morro (dentre eles Carlos Cachaça), que se organizavam no Bloco dos Arengueiros. A partir destes acontecimentos, seu nome passaria a fazer parte da história musical do país.

 

 

Dentre suas músicas, muitas ficaram consagradas como clássicos. Pode-se citar "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho", "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço", "Alvorada" e "Alegria". Sua trajetória foi escrita até 1980, quando morreu aos 72 anos de idade.


O reconhecimento de seu trabalho veio tardiamente, mas sua grande aptidão no mundo do samba garantiu que suas obras fossem perpetuadas de modo atemporal. Ao longo dos anos muitas homenagens foram realizadas para lembrar a genialidade do músico.


Em 1998, ano em que completaria 90 anos, foi montada no BNDES do Rio de Janeiro a Estação Cartola. A exposição, cuja cenografia foi produzida pela Candotti e o projeto expográfico por Vanessa Bittencourt, possuía o objetivo celebrar seu aniversário narrando ao público a incrível biografia deste mestre do samba.


Os elementos visuais da mostra faziam referência aos ambientes por onde a história aconteceu. Imagine você o morro da Mangueira transformado em pequenas “casas-monóculo” que revelavam curiosas fotografias da época aos observadores; a recriação do bar Zicartola – aberto por Angenor juntamente com Dona Zica, sua esposa – que oferecia boa comida além de muito samba aos seus freqüentadores, ou ainda admirar a simpática fotografia do sambista com seu grande amor em uma janela que se abre para um modesto quintal, lugar onde a camisa do seu time de coração (Fluminense) seca no varal. Tudo isso, é claro, adornado pelas cores que, através da fundação da Mangueira, passaram a ser sua marca: o verde e rosa.


Veja você: no mesmo período, o SESC de São Paulo aproveitava a oportunidade para apresentar o espetáculo “Cartola 90 anos” com os cantores Márcia e Élton Medeiros, que rendeu o lançamento de um álbum com o mesmo nome, além de um livro. A Estação Cartola, então, foi trazida para a capital paulista e montada no SESC Pompéia, a fim de acompanhar este e outros eventos promovidos como homenagem. Dessa forma, o público paulistano também pôde ter a oportunidade de visitar e prestigiar a exposição.


Passaram-se os anos e, em 2008, o sambista atingiu seu centenário. Iniciativas foram tomadas para homenagear sua história e mantê-la viva por, quem sabe, mais alguns séculos.  No Rio, por exemplo, o projeto “Cartola 100 anos” visou trazer às novas gerações todos os detalhes de sua vida e obra: utilizou-se de vários setores artísticos para difundir e atingir sua proposta. Já em São Paulo, o SESC Pompéia, resgatou sua comemoração feita há 10 anos atrás e trouxe ao público, novamente, um espetáculo realizado pelos mesmos intérpretes com as canções do compositor. Edições atualizadas e revisadas dos lançamentos da época (livro e álbum) também foram publicadas.


Quem diria que o samba seria uma grande ferramenta de vida? A partir de sua origem simples até o glorioso reconhecimento, o grande Cartola provou que a genialidade não escolhe onde florescer. Este ano ele irá completar 103 anos de nascimento e suas criações, além das lições de vida que deixou, estão, com certeza, prontas para muitos outros anos de presença marcante na música popular brasileira.


Você encontra mais informações nos links abaixo.


Centro Cultural Cartola

Loja SESC SP
CD Cartola
Livro – CARTOLA. Semente de amor sei que sou, desde nascença



Estação Cartola

BNDES – RJ
SESC Pompéia – SP

Produção Executiva - Ana Cunha
Designer - Vanessa Bitencourt
Produção e Montagem – Candotti Cenografia

 

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