Na Terra de Macunaíma PDF Imprimir E-mail
Ter, 18 de Maio de 2010 18:30

Quem não conhece o herói sem nenhum caráter? Um personagem que retrata o jeitinho brasileiro, com todos os defeitos e virtudes. A famosa obra de Mário de Andrade, concebida em pleno auge do modernismo no Brasil, tornou-se um marco na literatura nacional.

 

Com seu esquema inovador de narrativa, ignorando a relação entre tempo e espaço, Macunaíma foi escrito em apenas “seis dias de cigarros e cigarras”, nas palavras do autor, em um “estado de possessão preparada” que resultou na sua célebre criação. O local? A chácara da Sapucaia (em Araraquara/SP), propriedade do querido tio Pio, pessoa que detinha muita consideração de Mário. Pio Lourenço Corrêa teve grande participação no processo criativo da história, sendo ele uma grande referência intelectual para o autor de Macunaíma.



O SESC Araraquara trouxe Macunaíma de volta à sua “cidade natal” e inaugurou a exposição Na Terra de Macunaíma, com a produção cenográfica realizada pela Candotti Cenografia. A mostra fazia convite para uma viagem através do universo da obra; mostrando fatos que iam desde a sua concepção até a repercussão gerada.


Dividida em duas partes, num primeiro momento o visitante era introduzido aos “bastidores” do livro, conhecendo um pouco mais sobre os elementos que auxiliaram o escritor na concepção de seu livro. Documentos raros lá estavam expostos para narrar um pouco mais desse episódio: livros e recortes de jornal que serviram como referência e inspiração na montagem da narrativa, além de algumas das cartas trocadas com outros amigos intelectuais da época.

 

As primeiras edições de alguns livros escritos por Mário também estavam expostas. O que não podia faltar, é claro, eram as diversas telas e caricaturas conhecidas que retratavam Mário de Andrade sob diversas visões, incluindo a de Tarsila do Amaral, sua colega do movimento modernista.

 

A segunda parte desta exposição era dedicada, especificamente, à aventura de Macunaíma.  Em painéis, trechos do livro estavam disponíveis para que os leitores pudessem relembrar, ou ainda conhecer, algumas partes da trama. Para completar, estavam expostas anotações e fotografias do escritor sobre a fauna, flora e lendas nacionais. Esse material foi coletado por meio de viagens feitas pelo escritor, em especial no Amazonas.

 

Ainda assim, esses documentos encontravam uma difícil concorrência quando o assunto era encantar o público. Os elementos visuais chamavam a atenção sem esforço: a vivacidade das cores no ambiente irreverência e espirituosidade; um céu colorido por aves tropicais recriava o momento do nascimento de nosso protagonista, assim como no livro. As ilustrações feitas por Carybé, planejadas para serem publicadas junto com a primeira edição do livro, também somavam conteúdo ao cenário.

 

O projeto cenográfico ambientou o espaço com elementos característicos da narrativa, tais como vitrinas contendo documentos que, criativamente, se transformaram em redes de descanço. Para as crianças, Boíuna Capei – a cobra gigante – estava presente em uma versão articulada, que era inofensiva e proporcionava muita diversão. A subversão geográfica idealizada por Mário de Andrade também foi recriada, já pensou o Rio Tietê desaguando no Rio Amazonas? Pelo piso, isso era possível ser visto!

 

A exposição viajou por outras cidades do estado para que mais pessoas pudessem prestigiar a homenagem prestada a esse renomado intelectual que contribuiu significativamente para a riqueza literária brasileira. Por fim, é muito instigante saber que o SESC doou a mostra à UNESP de Araraquara para que pudesse ser preservada como registro da genialidade de Mário de Andrade.

 

Embora a exposição não esteja disponível. Você pode conhecer mais sobre o universo de Macunaíma através do próprio livro ou do filme, de Joaquim Pedro de Andrade, adaptado da obra modernista. Segue um trecho do filme "Macunaíma" (1969) disponível no Youtube; na cena, Macunaíma (Grande Otelo) nasce.


 

Também foi criada, em 1978, a peça dirigida por Antunes Filho inspirada na trama.  Com a Companhia Paulista de Teatro, uma ótima adaptação foi criada para os palcos. Em 2008, a peça completou 30 anos. No fim desta matéria você encontra um link para a notícia na Folha Online.

 

O site Almanaque Brasil também comenta a irreverência contida na narrativa, relacionando a preguiça típica do personagem com a opinião de Mário de Andrade sobre o trabalho. Vale a pena visitar.

 

O Dia da Preguiça - Almanaque Brasil 

Antunes Filho na Folha Online

 

 

 

Comentários  

 
0 #1 Ricardo Miliani 21-06-2010 14:53
sensacional, gostaria de ter visitado. abraços.
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